Trago na minha lapela,
uma rosa junto ao peito;
fresca,perfumada,bela,
tem de ternura o teu jeito.
É do teu gosto,amarela,
a cor que esta rosa tem
e como tu gostas dela,
eu gosto dela também.
Tirei-a do teu cabelo
onde a tinhas com preceito,
e guardei-a com desvelo,
na lapela junto ao peito.
terça-feira, 26 de janeiro de 2010
sexta-feira, 15 de janeiro de 2010
Pão com linguíça e azeitonas
Imaginemos uma tarde de Abril,com aquele sol luminoso. Agora sentemo-nos debaixo de uma velha azinheira,tendo como pano de fundo o rio Ardila.Estendamos por cima das ervas um daqueles sacos que servem para guardar o trigo.Desdobremos sobre este um pano,com quadrados azuis e brancos (podem ser quadrados vermelhos e brancos mas tem que ser um destes dois padrões),coloca-se-lhe em cima um pratinho de azeitonas "arretalhadas" e perfumadas com "oregos" ,uma linguiça nem muito fresca nem muito curada,daquelas temperadas com massa de pimentão vermelho.Prossegue-se (sempre com muita calma) e dispõe-se um pão alentejano (de preferência com dois a três dias de antiguidade),de modo que se não tenha que esticar muito o braço quando for preciso.Fica portanto ao alcance da mão, evitando-se assim esforços sobre-humanos. Tira-se então do bolso a navalha bem afiada (só o está se prender na unha do polegar) e...agora o momento solene:uma garrafa de tinto de Reguengos (pode ser Pias ou Vidigueira) é aberta ,seguindo o ritual, com muiiiiiiito cuidado. Verte-se numa caneca de barro,devagarinho,deixa-se respirar e ,delicadamente, leva-se aos "beços",dá-se um estalido com a língua e pronuncia-se a frase que dá início à cerimónia : Boa Pinga!
Coloca-se,agora, o casqueiro debaixo do braço ( tem que se cumprir este requisito) e corta-se uma fatia sobre a qual se coloca um naco da linguíça , que se vai cortando em pequenas rodelas, que se devem mastigar (devagar) acompanhadas com bocadinhos de pão,cortados com a navalha,(nunca se devem dar dentadas no pão) e , de quando em vez , vai também uma "azeitonita." Nesta fase limpam-se os "beços" com a costa da mão ,bebe-se mais um gole do precioso néctar e , sem abusar , vão-se repetindo estes procedimentos até que...o canto dos passarinhos , mais o cheiro das flores das estevas e a suavidade da brisa que vem do rio ,nos
transportem para outra dimensão...e , pergunto eu , perante a agitação dos tempos que correm, conhecem V.Exas. melhor "terapia" ?
Coloca-se,agora, o casqueiro debaixo do braço ( tem que se cumprir este requisito) e corta-se uma fatia sobre a qual se coloca um naco da linguíça , que se vai cortando em pequenas rodelas, que se devem mastigar (devagar) acompanhadas com bocadinhos de pão,cortados com a navalha,(nunca se devem dar dentadas no pão) e , de quando em vez , vai também uma "azeitonita." Nesta fase limpam-se os "beços" com a costa da mão ,bebe-se mais um gole do precioso néctar e , sem abusar , vão-se repetindo estes procedimentos até que...o canto dos passarinhos , mais o cheiro das flores das estevas e a suavidade da brisa que vem do rio ,nos
transportem para outra dimensão...e , pergunto eu , perante a agitação dos tempos que correm, conhecem V.Exas. melhor "terapia" ?
domingo, 3 de janeiro de 2010
AGRADECIMENTO
Escrever em bom português
é caso raro hoje em dia,
eu aceito Dona Rita
seu reparo,quem diria!?
Dona Rita Lovely
creia,não estou magoado
ao invés aqui lhe deixo,
meu muito e muito obrigado
é caso raro hoje em dia,
eu aceito Dona Rita
seu reparo,quem diria!?
Dona Rita Lovely
creia,não estou magoado
ao invés aqui lhe deixo,
meu muito e muito obrigado
segunda-feira, 21 de dezembro de 2009
SER AVÔ
Tem que se lhe diga,isto de ser avô! Com a proximidade do "Outono"é aceitável que algum desencanto se instale...mas emergem ,nesta fase da vida,transformações no grupo familiar
que constituem verdadeiros" balões de oxigénio".Refiro-me aos netos obviamente.
A minha neta Inês veio trazer-me novamente o gosto pelo sonho;agora até faço projectos
para o futuro (vejam só).Não vão passar disso mesmo,de projectos,mas tenho-os!
É bom ser avô.Irrito-me com as suas traquinices e prometo-lhe em tom solene,como convém,que durante o resto do dia não brinco mais.Mas...passados cinco minutos trata-me
por avozinho (sabe-a toda) e derreto-me. Afinal quando pensamos que o céu está a ficar
carregado,aparecem estas estrelas que nos encantam com a sua luz.
Querida netinha como é possível tanto amor!?
que constituem verdadeiros" balões de oxigénio".Refiro-me aos netos obviamente.
A minha neta Inês veio trazer-me novamente o gosto pelo sonho;agora até faço projectos
para o futuro (vejam só).Não vão passar disso mesmo,de projectos,mas tenho-os!
É bom ser avô.Irrito-me com as suas traquinices e prometo-lhe em tom solene,como convém,que durante o resto do dia não brinco mais.Mas...passados cinco minutos trata-me
por avozinho (sabe-a toda) e derreto-me. Afinal quando pensamos que o céu está a ficar
carregado,aparecem estas estrelas que nos encantam com a sua luz.
Querida netinha como é possível tanto amor!?
sexta-feira, 4 de dezembro de 2009
quarta-feira, 2 de dezembro de 2009
MOURA-Estação da C.P.
Janeiro de 1974
Pouca-terra pouca-terra pouca-terra...a locomotiva puxava vigorosamente,a composição de carruagens apinhadas.Gentes das aldeias,que em Moura tomariam a camioneta da carreira que as levaria até às suas humildes casas,estudantes,soldados...um jovem de pele escurecida pelo sol de África olhava,feliz e ansioso,os olivais,os vinhedos,os rebanhos e as azinheiras que pareciam dar-lhe as boas-vindas.
Ao longe,já se avistavam os imponentes silos onde era guardado o doirado trigo,do seu
Alentejo que ele tanto amava.Da "Notável Vila de Moura" eram já visíveis também as torres das igrejas e do castelo...relembrou aquela manhã de Setembro de 1971 ,a plataforma de embarque,na despedida,aqueles olhos claros, grandes que, em silencio,deixavam cair as lágrimas de um adeus num rosto lindo (daquela que sabia estar agora à sua espera). Lembrava a pobre mãe que chorava...o pai e os irmãos, a tristeza imensa...ele bem fingia,
vaidoso no azul da sua farda,"peito para fora barriga para dentro",um homem não chora!
(que mentira).
Na estação era grande a azáfama:carregadores,o homem dos jornais,passageiros apressados no receio de ficar em terra.Tudo devidamente orientado pelo brioso chefe da estação que,também ele,impecável na sua farda castanha,de bandeira e apito já a postos ,
concedia compreensivo e amável, mais uns minutos ,ao militar e à sua namorada ,para um último beijo de despedida.
E aqui estava de volta.Ele que afinal,por obra do acaso fora um privilegiado ,nunca tendo sofrido senão de saudades.A mesma sorte não tiveram a maior parte dos seus
camaradas que,esses sim,tinham sofrido na pele os efeitos da guerra...
Lá estava de novo a bonita estação de Moura,com os seus azulejos ,asseada e acolhedora.Ali estavam novamente os seus pais ,felizes;ali estavam os olhos saudosos do seu encanto,o rosto agora radioso, daquela que o receberia nos seus braços (e que iria ser,para sempre,a sua mulher).
P . S . Lugar de tantas memórias e com tanto significado para a cidade,a ESTAÇÃO DA CP de Moura, não devia ter sido votada ao esquecimento. Mas "ouvi dizer" que vai ser reabilitada . Aqui fica o meu agradecimento às pessoas e instituições,por ventura empenhadas.
Pouca-terra pouca-terra pouca-terra...a locomotiva puxava vigorosamente,a composição de carruagens apinhadas.Gentes das aldeias,que em Moura tomariam a camioneta da carreira que as levaria até às suas humildes casas,estudantes,soldados...um jovem de pele escurecida pelo sol de África olhava,feliz e ansioso,os olivais,os vinhedos,os rebanhos e as azinheiras que pareciam dar-lhe as boas-vindas.
Ao longe,já se avistavam os imponentes silos onde era guardado o doirado trigo,do seu
Alentejo que ele tanto amava.Da "Notável Vila de Moura" eram já visíveis também as torres das igrejas e do castelo...relembrou aquela manhã de Setembro de 1971 ,a plataforma de embarque,na despedida,aqueles olhos claros, grandes que, em silencio,deixavam cair as lágrimas de um adeus num rosto lindo (daquela que sabia estar agora à sua espera). Lembrava a pobre mãe que chorava...o pai e os irmãos, a tristeza imensa...ele bem fingia,
vaidoso no azul da sua farda,"peito para fora barriga para dentro",um homem não chora!
(que mentira).
Na estação era grande a azáfama:carregadores,o homem dos jornais,passageiros apressados no receio de ficar em terra.Tudo devidamente orientado pelo brioso chefe da estação que,também ele,impecável na sua farda castanha,de bandeira e apito já a postos ,
concedia compreensivo e amável, mais uns minutos ,ao militar e à sua namorada ,para um último beijo de despedida.
E aqui estava de volta.Ele que afinal,por obra do acaso fora um privilegiado ,nunca tendo sofrido senão de saudades.A mesma sorte não tiveram a maior parte dos seus
camaradas que,esses sim,tinham sofrido na pele os efeitos da guerra...
Lá estava de novo a bonita estação de Moura,com os seus azulejos ,asseada e acolhedora.Ali estavam novamente os seus pais ,felizes;ali estavam os olhos saudosos do seu encanto,o rosto agora radioso, daquela que o receberia nos seus braços (e que iria ser,para sempre,a sua mulher).
P . S . Lugar de tantas memórias e com tanto significado para a cidade,a ESTAÇÃO DA CP de Moura, não devia ter sido votada ao esquecimento. Mas "ouvi dizer" que vai ser reabilitada . Aqui fica o meu agradecimento às pessoas e instituições,por ventura empenhadas.
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